INÍCIO QUEM SOMOS ÁREA DE ATUAÇÃO ESTRUTURA NOTÍCIAS ARTIGOS CONTATO
 
 
Hora de ‘vender’ a experiência

OSCAR RAMOS GASPAR é jornalista

A bordo de prolongado ciclo de crescimento econômico, impulsionado pela convergência de expansão de fronteiras agrícolas e vertiginoso aumento de produtividade, Mato Grosso se projeta hoje como espaço onde profundas transformações socioeconômicas se dão em tempo recorde.

A consistente expansão da agroindústria, o vigor e a dinâmica que põem em movimento contínuo os estratégicos setores de comércio e de serviços – que, por sua vez, se qualificam permanentemente para atender a demandas cada vez maiores e mais exigentes – tem conferido ao Estado, além de invejáveis indicadores econômicos, um extraordinário patrimônio ‘intangível’.

Formado pelo Conhecimento acumulado – tanto gerado aqui, nas universidades e incipientes centros de pesquisas, quanto absorvido de outros centros, em forma de inovação tecnológica – esse patrimônio torna-se, na verdade, progressivamente mais ‘tangível’, mensurável. Na medida em que, aplicado nos ‘campos de prova’ da agricultura, da pecuária e da agroindústria, esse ‘capital’ gera novas referências e processos e, portanto, novas fontes de valor.

É desse extraordinário patrimônio ‘intangível’, que se acumula – e, obviamente, segue se expandindo em escala e velocidade cada vez maiores – que Mato Grosso tem de se dar conta. No sentido de se ‘apropriar’ institucionalmente do valor – não só simbólico, mas real, quantificável – representado pelo processo de desenvolvimento socioeconômico (com todos os seus impasses e virtudes).

A magnífica experiência acumulada na ocupação – com todas as suas contradições, insista-se – de cerrados e florestas com uma agricultura das mais diversificadas e produtivas do mundo, o consequente processo de expansão demográfica e de urbanização, tanto quanto os dolorosos (e ainda em curso) ‘choques étnicos’ e desvios ambientais, conferem a Mato Grosso condição de ‘região-laboratório’ única.

Transformar essa experiência socioeconômica sem paralelo – especialmente se levado em conta que ela se dá em um Estado cujo território concentra o maior número de nações e povos indígenas em todo o Planeta – em fonte de recursos tangíveis é tarefa a ser empreendida neste momento.

Promover o debate e a difusão dessa experiência, através de seminários, congressos e ciclos de estudos que atraiam para Mato Grosso o foco de organismos multilaterais, de centros de pesquisas governamentais e independentes, assim como de instituições públicas e particulares de projeção – eis o passo decisivo e inadiável para fazer a conversão desse ‘patrimônio intangível’ em valor concreto, em ‘commodity’ de primeira grandeza.

O debate desse processo, tão rico quanto contraditório, de transformação de um dos mais instigantes territórios tropicais do Planeta – convergência de Cerrados, Pantanal e Amazônia, habitat de dezenas de povos indígenas, divisor de duas das maiores bacias hidrográficas do mundo etc – em um dos maiores fornecedores de proteínas, porá em movimento dois novos geradores de dinâmica econômica:

1. A difusão, via debate qualificado e em escala internacional, das experiências e perspectivas regionais, atrairá novos investimentos, tanto em geração de Conhecimento – novas tecnologias – quanto em projetos econômicos sustentáveis da perspectiva socioambiental.

2. A mobilização de competências (cientistas, intelectuais, lideranças políticas, governantes) em torno dos grandes temas que marcam o processo de modernização de Mato Grosso, além de reduzir – pela informação correta – estigmas e resistências a nossos produtos, impulsionará o setor de turismo de eventos, hoje um dos mais promissores.

No momento em que os radares da economia sinalizam que os próximos anos talvez não sejam tão prósperos para Mato Grosso, é hora de valorizar esse patrimônio extraordinário – a trajetória socioeconômica e humana construída em um dos mais ricos ecossistemas da Terra.

WEBMAIL
Login
Senha
 
ADMINISTRATIVO
Login
Senha
 
 
CopyRight © 2010 - Eduardo Granzotto - TWNet