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Primavera Árabe: Junta militar egípcia decide aumentar seus próprios poderes
19.06.2012

Documento emitido no domingo, em meio à apuração dos votos para o novo presidente do país, dá aos militares mais influência no Legislativo e na redação da Constituição.

CAIRO - A Junta Militar do Egito emitiu nesta segunda-feira, 18, uma declaração que, aparentemente, dá a si mesma ainda mais poderes políticos, num momento em que o país espera os resultados de suas primeiras eleições presidenciais livres.

O documento divulgado pelo Conselho Supremo das Forças Armadas contém uma emenda para uma declaração constitucional de março de 2011, pouco depois dos levantes que levaram à renúncia do então presidente Hosni Mubarak. A emenda determina que novas eleições gerais não podem ser realizadas até que uma nova Constituição seja escrita.

Com isso, a Junta Militar fica efetivamente no controle do Poder Legislativo egípcio, do orçamento do país e da designação de quem ficará responsável por escrever a nova Carta Magna egípcia. Também tira qualquer autoridade do novo presidente do país sobre o Exército.

A declaração dos militares - cuja cópia foi vista por algumas agências de notícias, mas que só será divulgada na totalidade nesta segunda-feira - foi emitida horas depois de as urnas terem fechado, após o segundo turno da eleição presidencial.

Dias antes, o Parlamento do país já havia sido dissolvido por uma decisão judicial.

Manter o poder 
Para parte da população e para analistas, as
decisões evidenciam a resistência do Conselho Militar em abrir mão do poder acumulado durante a era Mubarak e em abrir espaço para a democracia no país.

O Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei descreveu a declaração da junta como um "grave retrocesso à democracia e à revolução" no país, e manifestantes prometem novos protestos na praça Tahrir para pressionar por reformas.

Ao mesmo tempo, soldados foram despachados para a porta do Parlamento, com ordens de impedir a entrada dos parlamentares no local.

A correspondente da BBC na capital egípcia Yolande Knell explica que a declaração militar terá grande impacto sobre a eleição presidencial - para muitos, o presidente eleito pode acabar reduzido a um papel meramente figurativo.

Esse ceticismo se refletiu nas urnas: acredita-se que o comparecimento dos eleitores tenha sido menor neste domingo em comparação com o primeiro turno, enquanto parte da população defendeu o boicote ao pleito.

Disputa eleitoral

Em paralelo, a Irmandade Muçulmana autoproclamou seu candidato presidencial, Mohammed Mursi, vencedor das eleições presidenciais de domingo, com uma suposta vantagem de 4 pontos percentuais (52% a 48%) sobre o adversário Ahmed Shafiq, ex-premiê da era Mubarak.

Mas o quartel-general de campanha de Shafiq rejeitou a proclamação de vitória do candidato islamista. Os resultados oficiais ainda não foram anunciados.

Mursi, que parece liderar a contagem de votos, se vende como um revolucionário e parte do movimento que derrubou Mubarak, prometendo reformas políticas e econômicas.

Ele também minimizou sua condição de islamista, na tentativa de atrair eleitores liberais e minorias religiosas.

Já Shafiq fez campanha defendendo o retorno da estabilidade e da ordem ao país - algo que tem apelo com uma parcela significativa do eleitorado, após meses de turbulências políticas.

A Junta Militar prometeu entregar o poder ao novo presidente até 30 de junho.

 

Fonte: BBC Brasil

 

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